Escalas e modos


Neste capítulo abordaremos um assunto de vital importância não só pro contra-baixo, mas assim como para todos os instrumentos de corda: As tão faladas escalas musicais.

Podemos iniciar afirmando que nas escalas, suas notas representam graus, e estão separados por intervalos convencionados. Cada tipo de escala possui uma característica melódica própria que a identifica e a individualiza. A melodia de uma escala é definida pela disposição dos intervalos e por sua quantidade de graus. E a combinação posição - quantidade que padroniza sua melodia, sendo estabelecida por fórmula.

Toda escala é constituída sobre uma "nota base" que passe a ser o seu primeiro e principal grau. A função deste grau fundamental é denominada Tônica, se repetindo no último grau da escala. A propósito, a palavra diatônica , significa "concordando com a tônica".

O Sistema diatônico é constituído somente por intervalos convencionados em tom e semitom:
Tom (t): É o intervalo formado por dois semitons, resultando num tom "Inteiro".

Semitom (s): É o intervalo de "meio-tom"; o prefixo "semi" significa metade.

ESCALA MAIOR NATURAL

As escalas diatônicas possuem 5 intervalos de tom e 2 intervalos de semitom, dispostos entre seus 8 graus. O "modo" como esses intervalos são organizados gera uma melodia própria para cada escala.

No caso da escala maior natural, a configuração de seus intervalos refere-se ao modo jônico e, a classificação maior, ao intervalo entre a tônica e o terceiro grau que é de dois tons (terça maior). A sonoridade melódica das escalas maiores nos induz a extroversão, ao entusiasmo e a euforia.

Fórmula da Escala Maior Natural:

T II III IV V VI VII T
t t s t t t s
Os nomes dos graus se definiram conforme suas posições na escala, determinando suas funções:

Tônica: Grau fundamental que nomeia a escala e define seu Tom.
Sobretônica: Grau acima da tônica.
Mediante: Grau do meio entre a tônica e a dominante, define a classificação maior ou menor.
Subdominante: Grau abaixo da dominante.
Dominante: Grau que "domina" o Tom. É o grau mais importante depois da tônica. Submediante: Grau do meio entre a tônica oitavada e a Subdominante.
Sensível: Grau que precede a tônica em um semitom e pede complemento da mesma. Oitava: Repetição da tônica, porém com o dobro da freqüência sonora (Hertz).
A tônica é o pólo de repouso da melodia da escala. A dominante, em oposição, é o pólo de tensão.

A escala de C Maior Natural é considerada perfeita por ser composta apenas por notas naturais. O Temperamento permitiu a toda nota musical poder ser eleita tônica de qualquer tipo de escala. Na estruturação de uma escala sobre uma tônica qualquer, se faz necessário alterar certas notas por meio dos acidentes, para obedecer, desta maneira, a fórmula interválica da escala requerida.

A transposição tonal de uma escala consiste em adotar uma nova tônica, e manter a formação original de seus intervalos, ou seja, apresentam-se tônicas diferentes para o mesmo padrão modal. A teoria sobre esse processo será adequadamente detalhada no capitulo relativo ao sistema tonal.

A escala Maior Natural é a mais importante do sistema diatônico, pois é o alicerce fundamental para entender os encadeamentos de escalas, construções de acordes e progressões harmônicas.

OBS:

A aplicação de escalas requer um embasamento teórico amplo e amadurecido, porém, adota-se primeiro este critério básico: "Aplica-se uma escala sobre os acordes que esta pode gerar".

Aplicação da escala maior: acordes maiores (6, 7M, add9, 6/9, 7M/9, 6/7M, 6/7M/9).

ESCALAS MENORES

As três principais escalas menores usadas na Música são: a Natural, a Harmônica e a Melódica. As escalas menores são assim classificadas devido ao intervalo de um tom e meio configurado entre a tônica e o terceiro grau (terça menor) característica comum a todas escalas menores. Sob este aspecto apresentam um semitom a menos que o intervalo correspondente nas maiores. A melodia de uma escala menor, geralmente nos induz a introversão, a melancolia e nostalgia.

Escala Menor Natural

A escala menor natural tem a organização de intervalos idêntica à configuração do modo eólio. A escala menor natural (eólica) pode ser obtida partindo-se do VI grau da escala maior natural. De outro modo, pode-se obter a escala maior natural, partindo do III grau da escala menor natural. Esse elo de congruência, é o referencial que torna essas 2 principais escalas diatônicas relativas, pois ambas, embora possuam fórmulas diferentes, compartilham exatamente das mesmas notas.

Fórmula da Escala Menor Natural

T II IIIb IV V VIb VIIb T
t s t t s t t

Aplicação da escala menor natural: Acorde menor "tríade" ou (m7, m7/11, m7/9, m7/9/11).

è A partir de adaptações sobra a escala menor natural derivaram-se duas outras escalas menores, as quais requerem embasamento em estudo sobre harmonia básica para um melhor entendimento.

Escala Menor Harmônica
A escala menor harmônica foi convencionada para reestruturar o campo harmônico menor. O sétimo grau na escala menor natural está a um tom da oitava, denominando-se "subtônica". O grau na condição de subtônica, atenua a tensão melódica ascendente da escala para a oitava. Sustenizou-se a subtônica promovendo-a a sensível, naturalmente complementada pela tônica. Como conseqüência harmônica, o acorde dominante menor converteu-se para maior, aumentando assim seu efeito tensionador e, resolvendo de maneira mais convincente sobre o acorde de tônica.

Fórmula da Escala Menor Harmônica

T II IIIb IV V VIb VII T
t s t t s ts s

Aplicação da escala menor Harmônica: Acordes menores (m9, m7M, m7/11, m7M/9).

Escala Menor Melódica
A escala menor melódica é resultado de uma adaptação feita sobre a escala menor harmônica. Esta última, por apresentar o intervalo de tom mais semitom entre os seus sexto e sétimo graus, era uma exceção ao sistema diatônico, predominante na época, tornando-a de difícil entonação. Para reconciliá-la ao diatonismo e suavizar seu fluxo melódico, elevou-se o VI grau dá harmônica em um semitom, resultando na escala menor melódica.

Devido ao destensionamento melódico que ocorre no sentido descendente das escalas, é desnecessário manter esse padrão, além disso, comparando a fórmula da menor melódicas com a da maior natural, ambas diferem só no III grau. Por este motivo, para melhor distinguí-las no sentido descendente, usa-se a escala menor natural. No padrão convencional acende-se, escala menor melódica e descende-se, escala menor natural.

Fórmula da Escala Menor Melódica

T II IIIb IV V VI VII T
t s t t t t s

Aplicação da escala menor melódica: Acordes (m6, m7M m6/9, m7M/9, m6/9/11, m9/11).

Capítulo 8 : Modos

Outro assunto que complementa as escalas são os Modos. As características sonoras de cada modo podem ser transportadas para qualquer tonalidade, desde que sua seqüência de intervalos original não seja alterada.

Na verdade, isso produz cinco novas escalas – e não sete, já que o Jônio e o Eólio coincidem com as escalas diatônicas naturais maior e menor respectivamente. Essas cinco novas escalas constituem alternativas à estrutura melódica e harmônica das escalas diatônicas.

Modos e escalas possuem aplicações diferentes. As escalas determinam a harmonia e os modos expressam as variações melódicas. Para se saber se um modo é maior ou menor basta olhar para o intervalo entre a 1ª e a 3ª notas. O Lídio e o Mixolídio são, na verdade, maiores, enquanto o Dórico e o Frígio são menores. O Lócrio é incomum, na medida em que seu acorde de tônica é "Diminuto". A atmosfera geral do modo pode ser ouvida executando-se acordes construídos sobre seus graus, apenas com as notas que o modo contém.

Modo Jônio
Foi o predecessor da escala maior diatônica. Possui a mesma seqüência de intervalos e, portanto, a mesma sonoridade.

Modo Dórico
É um modo menor. Difere da escala menor natural (eólio) apenas na 6ª nota, que recebe um sustenido. Muito adequado para seqüências de acordes menores (por exemplo Im, Iim, III, IV, Vm, VII), que adquirem assim, um toque jazzístico.

Modo Frígio
Outro modo menor, praticamente idêntico à escala menor natural (eólio), exceto na 2ª nota, que é bemolizada (Db). Esta nota é ouvida como "9ª bemolizada" quando acrescentada a um acorde de tônica com sétima menor.

Modo Lídio
Uma escala maior. Difere da maior diatônica (jônio) por possuir um sustenido na 4ª nota. É uma escala maior com (#4).

Modo Mixolídio
A escala mixolídia possui a 7ª nota bemolizada. É o que diferencia da escala maior diatônica (jônio). Na verdade, trata-se de um dos modos utilizados com maior freqüência para improvisação no Blues e no Jazz.

Modo Eólio
Este modo foi o predecessor da escala menor natural diatônica. Possui a mesma seqência de intervalos e, portanto, a mesma sonoridade.

Modo Lócrio
Todas as notas desta escala são bemolizadas, com exceção da tônica (I grau) e da 4J (IV grau). Dos sete modos este é o menos utilizado na música ocidental, mas desempenha um papel importante nas músicas Indiana e Japonesa.

Modos e seus intervalos

JÔNIO - T 2M 3M 4J 5J 6M 7M 8J
DÓRICO - T 2M 3m 4J 5J 6M 7m 8J
FRÍGIO - T 2m 3m 4J 5J 6m 7m 8J
LÍDIO - T 2M 3M 4aum 5J 6M 7M 8J
MIXOLÍDIO - T 2M 3M 4J 5J 6M 7m 8J
EÓLIO - T 2M 3m 4J 5J 6m 7m 8J
LÓCRIO - T 2m 3m 4J 5dim 6m 7m 8J

Modos originados pela escala Maior

Modo Jônio - C – D – E – F – G – A – B – C
Modo Dórico - D – E – F – G – A – B – C – D
Modo Frígio - E – F – G – A – B – C – D – E
Modo Lídio - F – G – A – B – C – D – E – F
Modo Mixolídio - G – A – B – C – D – E – F – G
Modo Eólio - A – B – C – D – E – F – G – A
Modo Lócrio - B – C – D – E – F – G – A – B

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